Inspirações sobre ESG e Economia Circular no II Fórum Internacional eureciclo

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Já ouviu falar sobre o Tripé da Sustentabilidade? E se te contarmos que conhecimentos ancestrais poderiam ter completado ainda mais este conceito? Esse e outros aprendizados sobre o II Fórum Internacional eureciclo você confere aqui!

Um dos temas abordados no II Fórum foi a economia circular, que repensa a economia tradicional e visa regenerar os sistemas naturais. Hoje, esse assunto mais do que nunca está em alta, até como uma forma de solucionar problemáticas mundiais, como as mudanças climáticas, a desigualdade e a destinação de resíduos.

Há ainda, uma relação intrínseca da economia circular com o ESG e fundos de investimento sustentáveis. Saiba mais!

ESG: um caminho para a regeneração?

A partir da percepção de que “não existe fora da Terra, só tem dentro” podemos compreender finalmente de que somos parte da solução e nos direcionarmos à ação. Essa fala de Antonio Nobre, agrônomo, ecólogo e cientista da Terra, foi uma das primeiras a abrir a discussão no II Fórum Internacional eureciclo, evento online e gratuito realizado entre os dias 22 a 24/junho.

Para o agrônomo a reciclagem não é um tema que está lá do outro lado, enquanto indivíduos estamos fazendo o papel da reciclagem o tempo todo, dentro de nós. Seja através de conceitos e até mesmo em nosso próprio metabolismo. Podemos inclusive nos inspirar na natureza, que possui um sistema robusto e contínuo de reciclagem, ao reaproveitar as matérias orgânicas do solo em diferentes ciclos.

O questionamento do cientista da Terra trata sobre como podemos nos inspirar nos incas, povos ancestrais para a mudar a reciclagem e a sociedade das posses e dos bens. Com a abordagem da estrela de 5 pontas, Antonio consolidou ainda mais o conceito do Tripé da Sustentabilidade ou Triple Bottom Line, termo cunhado pelo sociólogo John Elkington em 1994. Para Antonio, a estrela de 5 pontas, como ele chama, diz respeito a 5 vertentes que devemos considerar exatamente nesta ordem:

  • Pertencer, já que ninguém existe sem pertencer a algo e para ele, o falhar no pertencer, a desconexão, é o que originaria as aberrações modernas;
  • Ser, como indivíduo, mas com o devido respeito ao pertencer, ao local que deu origem;
  • Evoluir, porque na natureza o desenvolvimento tem limites e harmonia;
  • Compreender, para conceber a totalidade;
  • Conservar, pois quando você compreende você conserva;

Para tangibilizar esses pontos, podemos pensar que esse conhecimento nada mais é que um aprendizado importado da natureza. Com o alinhamento em relação às leis naturais, percebemos que os limites são justamente inseridos para trazer harmonia aos sistemas, se contrapondo à ideia de uma modernidade “sem freios”.

Acrescentando à visão de Antonio, o líder indígena, ambientalista, filósofo e escritor, Ailton Krenak, cita que pertencer, ser, evoluir, compreender, conservar é um ciclo e implica uma cosmovisão, “eu sou natureza, tudo é natureza”. Ao invés de querermos expandir domínio sobre todas as coisas, podemos simplesmente pertencer! 

Enquanto reflexão para a sociedade e para a cultura moderna, Krenak afirma que quando concebemos a ideia de uma cultura que não sabe o que fazer com o resto, com o resíduo, esse deve ser o ponto da cultura que necessitamos mudar, e não só exteriormente, mas em nós mesmos.

Economia Circular e ESG: A economia do futuro é circular

Além do futuro, economia circular é também o presente. E no segundo dia do II Fórum Internacional, grandes nomes referências em gestão de resíduos e investimentos trataram sobre a temática do ponto de vista ESG, termo em inglês para critérios ambientais, sociais e de governança corporativa.

Para Denise Braun, sócio-fundadora da All About Waste, empresa de consultoria americana focada em soluções para a economia circular e de resíduo zero, o conceito de economia circular é local, pois ao lidar com o resíduo na própria região onde foram gerados, novos empregos e mais renda são aplicados diretamente na economia. 

Não há entretanto, como fechar o ciclo da economia circular sem o envolvimento do nosso papel enquanto consumidores, já que temos a autonomia de escolhermos as empresas em que iremos investir, tendo como um dos critérios nessa escolha, por exemplo, se a marca realiza o destinamento correto dos resíduos, ou não. Por isso, é importante realizar essa pesquisa, alinhada aos princípios pessoais, ao mesmo tempo em que as empresas se posicionam de forma transparente, manifestando o compromisso, de fato, com iniciativas como a da reciclagem. 

Outra convidada que compartilha do mesmo pensamento é Marina Cançado, Head de Sustainable Wealth da XP Private e sócia da XP Inc. Para a executiva, as gerações atuais já cobram posicionamento de agendas-chave como a diversidade e a transição para uma economia de baixo carbono.

Da mesma forma, no que diz respeito ao ESG e aos fundos verdes, os fluxos de capital possuem o atributo de levar a investimentos que contribuam com um mundo mais sustentável. Os portfólios têm a capacidade de serem rentáveis e ao mesmo tempo, alinhados com os valores de cada indivíduo, com o futuro que se  quer construir, segundo ela.

Na visão do terceiro palestrante do dia, Romero Rodrigues, sócio-diretor da Redpoint eventures, ex CEO do Buscapé Company, a transição de empreendedor para ser um investidor foi de fato, um desafio.

Para ele, é necessário uma certa “futurologia”, a habilidade de captar as mudanças da sociedade de forma ágil e apoiar os empresários que estão buscando resolver grandes problemas da sociedade, assim como a eureciclo, que tem como propósito desenvolver e investir na cadeia de reciclagem para aumentar os índices de material reciclado.

A economia circular surge então como um caminho prático para combater a desigualdade social.

Outro desafio é o que foi citado por Ana Ferreira, Senior Client Success Executive da Beta-i, empresa portuguesa, aceleradora de negócios com foco no impacto, sobre a mensuração do real impacto do ESG. Na visão de Ana, as organizações além de economicamente e financeiramente viáveis, devem ter escala, afetando positivamente toda a cadeia de valor e stakeholders, fechando assim, o ciclo do consumo consciente.

Logística Reversa: Inspirações globais para uma reciclagem mais sustentável

Independente da particularidade de cada país, os motivadores e dificuldades em relação à reciclagem e coleta seletiva podem ser os mesmos!

A partir das diferentes perspectivas no 3º dia do II Fórum Internacional, da Europa à América, um cenário abrangente foi traçado. Para a primeira convidada, Anne-Sophie Michel, Gerente de inovação na Citeo, organização sem fins lucrativos que visa reduzir o impacto ambiental do papel e das embalagens, o maior desafio atualmente é em relação aos plásticos, devido à discrepância dos tipos de plásticos.

Na França, de acordo com Anne-Sophie, a problemática gira em torno de fazer com que as pessoas separem os materiais e aprendam a fazer isso sistematicamente, dentro e fora de casa (nas ruas, etc). O mesmo ponto de vista foi partilhado pelo representante da Itália, Enzo Vergalito, Diretor e co-fundador da Ewap Cooperative Company, empresa de limpeza urbana que atende mais de 100 municípios no país.

Para Enzo, a capacitação e sensibilização sobre o tema da reciclagem foram um dos pilares fundamentais para os cidadãos participarem e conhecerem como podem fazer sua parte. Nos anos 80, a coleta seletiva era realizada através de grandes caixas de lixo em locais públicos e a destinação dos resíduos era voluntária. Como os cidadãos italianos podiam deixar os itens em qualquer horário e dia, os resultados obtidos não eram o suficiente.

No caso da Itália, o que revolucionou a logística reversa através da reciclagem foi o sistema de coleta porta a porta. Segundo o diretor da Ewap Cooperative Company, a diferença é que o sistema se tornou responsabilidade individual e não um problema da coletividade, passível de ser terceirizado.

Enquanto isso, nos Estados Unidos da Ámerica, Mauro Napolitano, Diretor Geral da Florida Plastic Recycling, uma empresa de reciclagem plástica focada em PET, relatou a importância das empresas quanto ao fomento à reciclagem. Há uma movimentação forte de grandes companhias no cenário atual, o que tornaria esse processo difícil de retroceder.

Uma série de avanços tecnológicos sociais e tecnológicos precisam ser realizados e de acordo com Mauro, a formalização é um desses aspectos. A fonte da coleta, da matéria-prima, precisa ser formalizada para que a oportunidade de aplicar a logística reversa seja aproveitada e escalada para se obter maiores resultados.

Da mesma forma que na França e na Itália, os Estados Unidos também possuem uma barreira a ser superada. Além de serem um dos maiores consumidores de plástico, a educação da população em realizar a triagem de forma correta se faz cada vez mais necessária.

Reciclagem em solo brasileiro

O Brasil é considerado o 4º maior produtor de plástico. Cerca de 11 milhões de toneladas de lixo plástico são descartados por ano, conforme o Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Nesse estudo, a informação é de que mais de 10,3 milhões de toneladas foram coletadas (91%), mas apenas 145 mil toneladas (1,28%) são efetivamente recicladas.

Os desafios em solo brasileiro são, talvez, até maiores do que os apresentados pelos demais convidados. Com o objetivo de que os resíduos sejam reprocessados na cadeia de produção, soluções como a eureciclo surgem para formalizar e estruturar a reciclagem no país.

O último convidado do painel sobre Logística Reversa a falar no terceiro dia foi o CEO e co-fundador da eureciclo, Thiago Carvalho Pinto, contextualizando o cenário da compensação ambiental e o panorama da reciclagem, já que no Brasil quase 80% do que é coletado é realizado por um dos 1 milhão de catadores, os atores que intermediam a coleta seletiva e cumprem esse papel social e ambiental primordial.

A eureciclo atua como a certificadora, que faz o rastreamento desses materiais coletados por cooperativas, operadores ou outras entidades.

Além disso, realizamos o onboarding das empresas regularizadas, que optam por compensar 22%, 100% ou 200% das embalagens pós-consumo inseridas no mercado e atuamos também com a comercialização dos certificados de reciclagem, através da plataforma blockchain com lastro em notas fiscais e auditoria realizada pela E&Y, Ernst & Young.

Para saber mais sobre a solução eureciclo, confira aqui o Relatório de Desempenho em relação aos três pilares de atuação – social, ambiental e econômico no ano de 2020 e como estamos transformando o cenário da reciclagem no Brasil e América Latina:

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