Você já ouviu falar em environmental, social and corporate governance (ESG)?

Leia em 8 min

O ESG é uma sigla que representa os critérios ambientes, sociais e de governança que são considerados em investimentos. Leia o nosso post e saiba mais!

Não existe uma empresa que não deseje crescer e a melhor maneira de fazer isso é através da adoção dos critérios ESG.

Os investidores, atualmente, não consideram apenas o lucro e a expansão da empresa nos últimos anos, mas também o seu impacto socioambiental.

Por isso, cada vez mais negócios estão buscando traçar uma política de adequação ambiental e social, aumentando as chances de receberem investimentos para que possam se desenvolver no mercado.

E a melhor maneira de fazer isso é se guiando pelos pilares do ESG, que buscam a construção e valorização de organizações responsáveis ambiental e socialmente.

Continue lendo o nosso post e saiba mais sobre o environmental, social and corporate governance e a sua importância para as empresas e para o mercado brasileiro!

O que é environmental, social and corporate governance, o ESG?

O ESG é uma sigla que representa o termo em inglês environmental, social and corporate governance. Em tradução literal, seria algo como critérios ambientais, sociais e de governança.

Ela é amplamente utilizada dentro do mundo dos investimentos, representando um fator de análise para avaliar as empresas.

Antigamente, as empresas que buscavam investimentos focavam em divulgar o seu crescimento ao longo dos anos, o lucro e até mesmo a previsão de ampliação dos negócios.

A companhia que tivesse os melhores critérios era a que mais recebia verba de empreendedores que buscavam investir em novos negócios.

Atualmente, apenas essas métricas não são mais suficientes para determinar quem irá se destacar. É preciso analisar critérios que envolvam questões sociais, ambientais e de administração interna.

Assim, surgiu o ESG e o que é chamado de investimento ESG.

Eles representam os investimentos que consideram como a empresa lida com o meio-ambiente, como é o seu relacionamento com os colaboradores, clientes, comunidade, acionistas e executivos.

Isso representa um grande marco para o empreendedorismo, já que não basta ter lucro e boas previsões, é preciso ter consciência ambiental e social para crescer.

Desse modo, cada vez mais serão criados negócios que buscam ter um impacto positivo no mundo, o que é bom de forma geral e também para o consumidor final, que atualmente opta por empresas ecologicamente corretas.

Para se ter uma noção, uma pesquisa realizada pela Union e Webster mostrou que 87% dos consumidores brasileiros preferem comprar produtos e serviços de uma empresa sustentável.

E não para aí! 70% ainda afirmaram que não se importam em pagar um pouco mais por isso.

Portanto, o ESG veio para modificar o mundo empresarial e beneficiar a todos!

Quais são os pilares do ESG?

Como já falamos, o ESG se apoia em três pilares: o ambiental, o social e o de governança.

Dentro deles, existem alguns critérios que, normalmente, são considerados.

É importante ressaltar que esses levantados nos tópicos não são, necessariamente, válidos para todos os segmentos.

Enquanto uma indústria deverá ter mais preocupação com a emissão dos gases do efeito estufa, uma empresa de construção civil deverá focar na gestão de resíduos.

Deve-se analisar o que cabe, ou não, para área dentro de cada pilar.

Confira o que cada um significa e alguns exemplos! 

Fatores ambientais

O pilar ambiental do ESG tem como objetivo analisar tudo que está relacionado com o impacto do negócio no meio-ambiente.

Isso vai tanto o lado positivo quanto negativo. Não basta apenas diminuir o seu impacto, é preciso ir além.

As empresas que contam com projetos ambientais, como plantar árvores e diminuir a produção de resíduos, por exemplo, ganham destaque entre as outras.

Além disso, também são comumente analisados:

  • uso de recursos naturais,
  • emissões de gases de efeito estufa,
  • eficiência energética,
  • poluição,
  • gestão de resíduos e logística reversa.

Fatores sociais

Os fatores sociais estão diretamente ligados com os ambientais e vão ainda além.

Em relação ao uso de recursos naturais, por exemplo, não se considera apenas a sua origem, mas também a mão de obra utilizada.

Não basta os insumos utilizados serem ecológicos, eles precisam vir de empresas que contratem e paguem pelo serviço dos seus colaboradores de maneira correta e justa.

Não há mais espaço para organizações que utilizam mão de obra escrava ou infantil!

Além disso, ainda é considerado a forma que a marca se relaciona com os seus colaboradores, se há a valorização deles e até mesmo se a equipe é inclusiva e diversa.

Ainda é considerado o fator comunitário, buscando conhecer se a empresa auxilia os moradores locais e qual é a sua relação com eles.

Dentro do contexto da discussão atual sobre o uso de dados digitais, o que foi motivado no Brasil pela implementação da LGPD, ainda são consideradas a privacidade e a proteção de dados dos clientes.

Infelizmente, está cada vez mais comum encontrarmos casos de empresas que vendem os nossos dados para lucrar, sem pensar no bem-estar ou nas consequências de suas ações.

O pilar dos fatores sociais consideram tudo isso e busca modificar os processos para que os negócios sejam mais impactantes socialmente.

Fatores de governança

Os fatores de governança também são considerados no ESG.

São analisadas diversas questões, como:

  • ética e transparência da empresa,
  • independência do conselho,
  • remuneração da administração,
  • inclusão e diversidade dentro da administração,
  • estrutura empresarial.

Assim como já falamos do pilar social, os fatores de governança também estão diretamente ligados com os outros.

Não é possível uma empresa cumprir os critérios sociais, por exemplo, sem ser transparente e ética.

Uma governança ruim pode levar a escândalos de corrupção e gerar prejuízos financeiros e sociais para os seus stakeholders.

Apesar de serem separados em três pilares, todos eles estão diretamente ligados e, em algumas situações, pode ser até difícil fazer a separação deles.

É preciso pensar como um todo, focando no ambiental, no social e na governança.

Como o ESG está sendo aplicado no Brasil e no mundo?

O último grande estudo relativo ao ESG foi realizado em 2018, pela Global Sustainable Investment Alliance, empresa colaborativa que analisa os investimentos sustentáveis.

Nessa pesquisa é ressaltado como o ESG cresceu 34% entre 2016 e 2018 ao redor do mundo.

Ainda destaca que as regiões que mais investem nessa área são:

  • Europa: aumento de 11% entre 2016 e 2018,
  • Estados Unidos: aumento de 38% entre 2016 e 2018,
  • Canadá: aumento de 42% entre 2016 e 2018,
  • Austrália: aumento de 46% entre 2016 e 2018,
  • Japão: aumento de 307% entre 2016 e 2018.

Mais especificamente na América Latina, o LatinSIF é o responsável por promover o investimento sustentável.

Ele foi criado em 2013 e atua em 5 países: Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru.

Por aqui, desde 2018 são feitas mudanças para incentivar o investimento sustentável. Podemos destacar:

Isso é apenas uma pequena amostra que comprova bem o crescimento do tema no território nacional.

Pode-se ressaltar ainda que o ESG ficou em foco, assim a importância dos investimentos sustentáveis durante os desastres da Vale.

Diversos investidores sofreram grandes perdas e, dessa forma, começaram a se preocupar com questões ambientais, sociais e de governança antes de fazer uma aplicação.

Além disso, uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a ANBIMA, mostra que apesar de grande parte dos gestores considerarem questões ESG para os seus negócios, apenas 11% contam com uma área específica para isso.

Também vale destacar que apenas 18% contam com funcionários diretamente envolvidos e, mais importante ainda, somente 5% têm um comitê para avaliar investimentos ESG.

Durante as entrevistas, ao serem perguntados se a empresa que trabalham conta com uma política de investimento responsável ou um documento que formalize a abordagem, as respostas foram:

  • 21,36% afirmam que contam com uma política específica sobre investimento responsável,
  • 27,18% afirmam que há um documento geral da empresa sobre o tema,
  • 20,39% afirmam que não, mas que está em desenvolvimento,
  • 31,07% afirmam que não.

Apesar dos dados mostrarem a evolução do ESG ao longo dos anos, ainda temos um grande percurso para percorrer, que deverá iniciar na adaptação dos processos das companhias e na conscientização dos empreendedores brasileiros.

Qual a importância da ESG para as empresas?

Como já falamos anteriormente, as empresas que desejam novos investidores não devem apenas focar no seu lucro e crescimento ao longo dos anos, mas também no ESG.

Isso passa a ser um critério que é considerado por muitos empreendedores e pode ser o grande diferencial dos negócios.

Para entender mais sobre isso, é preciso compreender sobre a estratégia no processo de investimento sustentável.

Existem, basicamente, seis tipos que você deve conhecer:

Best-in-class: segundo a ANBIMA, 46,91% dos investidores utilizam essa estratégia, que consiste no ranqueamento das empresas e a melhor leva os investimentos,

Filtros negativos: 41,98% dos investidores excluem de investimentos as organizações que ferem critérios sustentáveis específicos, os retirando da sua lista,

Integração no valuation: 22,22% dos investidores buscam incorporar fatores sustentáveis para capturar os impactos no futuro da companhia,

Filtros positivos: 13,58% selecionam seus investimentos pensando em negócios que sejam exemplos em ESG,

Investimentos de impacto: 19,75% investem buscando a resolução de problemas pré-existentes, focando tanto na melhoria socioambiental quanto no retorno financeiro,

Engajamento corporativo: 11,11% utilizam a participação acionária dos investidores para influenciar os empreendimentos a adotarem práticas sustentáveis.

Dessa forma, fica evidente que a importância da adequação está na inclusão da companhia nas estratégias de investimento, possibilitando o crescimento da mesma.

Como estão as empresas hoje no Brasil nesse processo?

As empresas brasileiras estão buscando se adaptar e cumprir nos novos critérios sustentáveis.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, apenas 4,1% de todas as empresas publicaram relatórios de sustentabilidade entre os anos de 2015 a 2017.

Mas o cenário não está tão negativo assim!

Ainda segundo o IBGE, houve grandes mudanças relacionadas à inovação e à sustentabilidade, com destaque para os seguintes processos, seguido da porcentagem de empresas que modificaram essas atividades internamente:

  • reciclagem de resíduos, águas residuais ou materiais para vendas: 57,9%,
  • redução da contaminação a água, solo, de ruído ou ar: 51,3%
  • substituição, parcial ou total, de matérias-primas por outras menos contaminantes ou perigosas: 37,7%,
  • redução da produção total de CO₂: 33,1%,
  • substituição, parcial ou total, da energia proveniente de combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis: 17,2%.

Esses dados mostram que, apesar de ainda haver muitas mudanças necessárias, as empresas já estão se adequando e tendo um impacto positivo no meio-ambiente.

O relatório ainda detalha o que levou cada setor a fazer essas modificações. No setor de eletricidade e gás, por exemplo, 82,1% das companhias afirmaram estar seguindo a nova demanda do mercado e 81,7% relacionaram com a reputação da marca.

Já no setor de indústria, 60,6% afirmam ter relação com a reputação, 53,9% informam que foi por questões de boas práticas e 46,6% declaram que as mudanças foram feitas para cumprir com normas ambientais existentes.

Vale destacar que dentro dos fatores listados, o apoio governamental foi um dos que menos foi citado. Isso mostra que, apesar de haver um apoio por parte do governo, ainda faltam incentivos para as organizações possam ser mais ecológicas.

O relatório ainda traz dados muito interessantes e reflexões válidas em relação ao atual cenário da inovação e sustentabilidade. Recomendamos a sua leitura. O link está ali em cima!

Qual futuro das empresas que não são ESG?

As empresas que não se adequarem ao ESG sofrerão bastante economicamente, podendo não apenas perder os investidores atuais, como também não ter novos investimentos por longos períodos.

Mas é preciso entender que não há razão para ir contra esse movimento sustentável e social.

Os empreendimentos ESG, além de terem um destaque maior no mercado e receberem mais verbas, ainda conseguirão ter um impacto real no meio-ambiente.

Por mais que as mudanças individuais façam a diferença, são as empresas que realmente utilizam mais recursos naturais e, infelizmente, os desperdiçam.

Por isso, é preciso ver esse processo como algo natural, que irá acontecer de qualquer maneira, mas buscar acelerá-lo para que o seu negócio possa ter uma chance real no mercado, sem ficar para trás.

Além disso, apesar do ESG ter como foco empresas de médio e grande porte, que fazem parte da bolsa de valores, o mesmo processo pode ser realizado pelas pequenas que desejam e visam o crescimento.

Através do estabelecimento de políticas ambientais corretas é possível se destacar, crescer e, quando alcançar um porte médio, por exemplo, não será preciso se adequar os processos.

Esperamos que esse conteúdo tenha ajudado você a entender mais sobre o ESG e que sua empresa comece a traçar novas políticas sociais, ambientais e de governança.

Aproveitamos e convidamos você para continuar a leitura com o post Como a sustentabilidade pode gerar valor para o seu negócio!

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