Economia circular: o que é e como desenvolver

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Com o avanço das pautas ESG, muitas empresas buscam promover o desenvolvimento da economia circular. Quer saber como sua empresa pode fazer parte dessa transformação? Contamos neste artigo!

A economia circular é um conceito que surgiu em 1989, na Inglaterra, através de uma publicação de um artigo assinado por David Pearce e Kerry Turner, economistas e ambientalistas britânicos.

Empresas que praticam esse conceito associam o desenvolvimento econômico a um melhor uso dos recursos naturais, ou seja, com:

  • menor dependência de matéria-prima virgem,
  • priorização de insumos mais duráveis,
  • utilização de materiais reciclados,
  • desenvolvimento de produtos que possam ser renováveis.

Esse conceito precisa ser incorporado de maneira definitiva na sociedade, pois vivemos momentos preocupantes com relação ao descarte, quando milhões de toneladas de resíduos são descartados inadequadamente, causando sérios prejuízos à natureza e à saúde pública.

No Brasil, desde 2010, existe a PNRS, Política Nacional de Resíduos Sólidos, que responsabiliza as empresas pelo destino das embalagens que saem das lojas, vão para as casas dos consumidores e transformam-se em lixo.

Neste post, apresentaremos o conceito de economia circular e como sua empresa pode trabalhar o desenvolvimento sustentável, garantindo bons resultados à operação e contribuindo efetivamente com a preservação do meio ambiente. Continue lendo e saiba mais a respeito!

Panorama dos resíduos sólidos no Brasil

Dados apresentados pelo documento Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2020 mostram que o brasileiro gera, por ano, 379,2 quilos de resíduos, o que significa mais de 1 kg por dia.

Um dos grandes desafios que se tem no país quando falamos de resíduos, é a eliminação de lixões irregulares ao ar livre. 

Embalagens e produtos descartados de maneira incorreta são eventualmente incinerados ou deixados à beira da decomposição nesses lixões. 

Ambos os caminhos são péssimos, pois, além de provocarem problemas graves de saneamento e saúde para a população, também emitem uma quantidade significativa de gases de efeito estufa, como metano e carbono.

Esses, quando emitidos além da capacidade do planeta, são grandes vilões do aquecimento global. 

Um levantamento realizado pelo SEEG, Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa, apontou que, somente no Brasil, em 2020, foram emitidos 2,16 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente, uma alta de 9,7% se comparado ao ano de 2019.

A boa notícia é que há várias soluções sendo discutidas e implementadas!

Inclusive, o IV Panorama Nacional de Logística Reversa apontou algumas das soluções que tem sido desenvolvida em alguns dos estados do Brasil.

Quer saber mais?

Confira abaixo!

O ESG e a conscientização das empresas

A economia circular e o ESG, environmental, social and corporate governance, que traduzido significa governança ambiental, social e corporativa, estão intimamente ligadas.

Através de ações voltadas ao aspecto ambiental, as empresas conseguem utilizar os recursos naturais de forma responsável, fazendo com que os produtos finais retornem ao círculo, tal qual acontece na natureza, e sejam novamente utilizados como matéria-prima ou insumos para a criação de novos bens.

O ESG é uma realidade e fará parte do futuro dos negócios. 

Isso se dará através da conscientização da sociedade ou na obrigatoriedade da sua adoção em função dos problemas futuros que teremos que enfrentar, caso ações não sejam tomadas para a reversão do quadro atual do ciclo produtivo.

Para se ter ideia a respeito da vida útil de objetos, uma lata de alumínio pode demorar de 200 a 500 anos para se decompor na terra, caso seja descartada em um lixão. 

Uma embalagem plástica, nas mesmas condições, poderá perdurar por cerca de 400 anos. 

Já uma garrafa de vidro tem chances de resistir durante 4.000 anos até se decompor.

As empresas precisam abraçar esse movimento e encabeçar as mudanças, até porque os consumidores já percebem toda essa situação e tornam-se cada vez mais exigentes, inclusive nos cuidados com os recursos naturais.

A economia circular e a Agenda 2030

A Agenda 2030 foi criada em setembro de 2015 por 193 países membros das Nações Unidas, tendo por objetivo:

  • elevar o desenvolvimento do mundo,
  • melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas.

Essa organização trouxe consigo um plano contendo 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

O plano foi dividido em 169 metas a serem seguidas nos 15 anos seguintes. 

Mais do que um chamado universal para cidadãos, empresas, e governos reconhecerem seus papéis e articularem seus interesses em torno de uma agenda sustentável, os ODS formam um manifesto em prol de um mundo melhor.

A agenda internacional possui sua importância, afinal envolve os grandes tomadores de decisão globais. No entanto, é impossível deixar de tratá-la como um reflexo do inconformismo recorrente da sociedade frente a problemas ambientais e sociais.

Apesar de não dar nome a nenhum dos ODS, as consequências da geração de lixo afetam diretamente cada um deles. Sendo assim, é importante analisarmos o problema e buscarmos soluções efetivas e criativas.

É exatamente isso que a economia circular propõe. 

No fluxo atual do modelo linear, um recurso finito é extraído e transformado ao longo da cadeia produtiva até se tornar uma mercadoria, ser consumida e enfim descartada.

A exploração irrestrita de recursos finitos, o consumo excessivo de energia e o descarte inconsciente de resíduos tornam este modelo insustentável no longo prazo. 

O novo modelo, chamado Economia Circular, está sustentado basicamente no desenvolvimento de 4 processos.

Os 4 processos da economia circular

Abaixo estão as ações a serem desenvolvidas:

  1. manutenção para evitar o descarte
  2. reutilização por outros consumidores (mercado de usados, por exemplo),
  3. restauração dos componentes para que estes se tornem um produto novo,
  4. Quebra de itens em micro materiais para a remanufatura.

Esses processos têm por objetivo usar menos recursos e evitar o descarte desnecessário. A sua inovação está na sua simplicidade, eis o motivo de ser tão genial. 

As iniciativas e méritos para que este modelo ganhasse relevância global são diversos. Porém, uma merece destaque. 

Como exemplo, a velejadora britânica Ellen MacArthur, que já era conhecida mundialmente por circum-navegar a terra em tempo recorde, fundou em 2009 a Ellen MacArthur Foundation. 

Essa Fundação é protagonista na liderança de pautas ligadas à economia circular e na articulação de stakeholders, defendendo que a transição para esse modelo só será possível com a aplicação de avanços. 

Também apostando nesse conceito, em 2002 foi lançado o livro “Cradle to Cradle”, que traduzido significa do berço ao berço.

Os escritores Michael Braungart (químico alemão) e William McDonough (arquiteto japonês, naturalizado norte-americano), defendem a mesma tese de Ellen MacArthur, ou seja, a tecnologia precisa ser implantada nas empresas e junto à sociedade para se conseguir atender aos 4 processos citados anteriormente.

O livro apresenta um conceito em que a economia trabalha no seu formato tradicional, do berço ao túmulo, então os produtos são:

  • fabricados,
  • utilizados,
  • descartados.

O modelo do berço ao berço apresenta uma nova forma, que necessariamente precisa ser implantada em todo o mundo, onde se segue essa ordem:

  • fabricados,
  • utilizados,
  • desmontados e reciclados,
  • devolvidos às fábricas para novo processamento.

A indústria 4.0 e a economia circular

Vivemos atualmente a quarta revolução industrial, também conhecida como Indústria 4.0.

Esse conceito tem por base o uso de técnicas avançadas, tais como:

  • computação em nuvem,
  • manufatura digital,
  • cyber segurança,
  • manufatura aditiva,
  • inteligência artificial,
  • integração de sistemas,
  • internet das coisas,
  • sistemas de simulação,
  • big data,
  • digitalização,
  • robótica.

As revoluções industriais anteriores trouxeram incontáveis progressos para a humanidade, mas elas também contribuíram para a destruição da camada de ozônio, a emissão de gases de efeito estufa e a deterioração do trabalho.

A revolução da Indústria 4.0 abre um oceano de oportunidades para que novas tecnologias de processamento de materiais e rastreamento de dados possam emergir. 

Enquanto possibilidades escaláveis são criadas, concilia-se desenvolvimento com impacto socioambiental.

A aplicação desses avanços e a conscientização da sociedade e das empresas possibilitam que essa visão torne-se uma realidade em todo o planeta.

Como já mencionado, a preocupação com a atual situação é grande. No entanto, é preciso acelerar os processos para as mudanças que já estão “desenhadas”.

Mudar o futuro é possível

Tornar uma empresa mais ESG e adaptada a uma economia circular, pode ser um desafio.

Mas diante de tantas soluções apresentadas é possível mudar o futuro para termos impactos ambientais e sociais positivos.

Vamos juntos nessa construção?

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