Embalagens sustentáveis para alimentos é possível?

Como escolher uma embalagem sustentável para alimentos? Quais os prós e contras das opções existentes? Vamos falar sobre o que pode e o que não pode ser feito quando se fala de alimentos e apresentar algumas opções de embalagens sustentáveis para alimentos.

Com alimentos não se brinca

O setor de alimentos tem o grande desafio de manter a qualidade de seus produtos e existem diversas regulações para garantir a segurança dos consumidores. Para isso o artigo 8º da Lei n. 9782/99 atribuiu à ANVISA a responsabilidade de regulamentar, controlar e fiscalizar o uso de embalagens no setor de alimentos.

São diversas resoluções específicas para cada material que devem ser seguidas pelos fabricantes que produzem embalagens que entram em contato direto com os alimentos em algum momento do processo produtivo. Os regulamentos que têm como referência os utilizados na Europa e Estados Unidos, são também alinhados com os regulamentos de países do Mercosul.

De maneira geral, é necessária uma documentação e comprovação da qualidade dos processos produtivos de embalagens de alimentos muito mais rígida do que para embalagens em geral ou embalagens que não entram em contato direto com o alimento. Isso faz com que as opções de embalagens sejam mais restritas e dificulta a implementação em escala de novas tecnologias.

Calma, há esperança

Mesmo com a regulamentação, existem opções sustentáveis e muitas outras estão sendo desenvolvidas. Existem muitos aspectos diferentes a serem considerados ao se escolher a embalagem ideal para o seu produto, neste texto vamos falar apenas sobre a escolha do material para embalagens sustentáveis para alimentos. Se quiser uma visão mais completa, você pode ler o nosso super guia de embalagens sustentáveis.

O mínimo que deve ser feito

A reciclabilidade dos materiais varia muito dependendo do material e da região onde o descarte ocorre. Então cabe a você entender bem as suas opções e escolher o material mais sustentável, geralmente o que tem a maior chance de ser reciclado após o seu uso. Este é o primeiro passo que você pode dar: aceitar que o que ocorre após o consumo do seu produto também é sua responsabilidade, qual o tipo de resíduo gerado e que você pode influenciar a probabilidade do resíduo da sua embalagem ser reciclado.

Praticamente todos os materiais virgens podem ser utilizados como matéria prima para embalagens de alimentos. Com tantas opções, você deve levar em conta os vários aspectos de cada material para escolher a embalagem ideal para o seu produto, pesando a importância para você de cada atributo, como tempo de validade, custo, atratividade na gôndola, pegada ambiental na produção, entre outras. Mas lembre-se de se perguntar: será que minha embalagem vai ser reciclada?

Alguns exemplos de elevada reciclabilidade: latas de alumínio, embalagens de vidro na região Sudeste, embalagens PET e embalagens de papel em geral.

Melhor, mas ainda longe de perfeito

Uma opção de embalagens sustentáveis de alimentos são as embalagens biodegradáveis e compostáveis. Embora diferentes em questões técnicas, ambas são embalagens que quando tratadas de maneira correta tem um impacto ambiental bastante reduzido.Percebam a ênfase no tratamento adequado. Os dois principais desafios práticos do uso de embalagens biodegradáveis são a falta de infraestrutura no sistema de gestão de resíduos atual e a identificação dos materiais biodegradáveis na triagem.

Então, se for usar um material biodegradável, tenha consciência de como a sua embalagem deve ser efetivamente descartada para que seja sustentável. Se ela for parar no aterro sanitário, ela causará os mesmos impactos de uma embalagem normal. E se informe sobre a reciclabilidade do material, muitas embalagens biodegradáveis são recicláveis também, mas outras são somente compostáveis.

Um ponto de atenção é que nem todos os materiais são biodegradáveis em condições iguais, sendo que alguns materiais necessitam de temperaturas e pressões específicas para se biodegradar. Outro ponto é que quando um material vai para o aterro, fica em condições muito diferentes de um biodigestor ou composteira. Então mesmo que a embalagem seja biodegradável ou compostável, ela pode durar muito mais do que o esperado. Existem casos de jornais e restos de comida que duraram vários anos no aterro, por ser um ambiente anaeróbico impróprio para a decomposição.

Além disso, muitos desses materiais são novidades no mundo das embalagens e por isso tem um custo mais elevado. A expectativa é que com a popularização de alguns materiais os preços fiquem mais em conta e a infraestrutura de gestão de resíduos também aumente.

Alguns exemplos de embalagens biodegradáveis: PLA, celofane, papel e diversas embalagens feitas com base orgânica (bagaço de cana, fécula de mandioca, cogumelos, milho, coco entre tantos outros).

Estamos quase lá

Tudo bem, até aí sem muitas novidades. Já discutimos a reciclabilidade dos materiais e os desafios de escolher a embalagem ideal para o seu produto algumas vezes em nosso blog. Agora, o que seria a solução ideal, se custo não fosse um problema?

Para cada tipo de alimento, você terá exigências diferentes por parte da ANVISA, mas de modo geral o ideal é encontrar uma opção de embalagem sustentável de alimento que tenha um baixo impacto na sua produção e também em seu descarte. Na prática, a melhor opção é usar material reciclado sempre que possível. E melhor ainda se o material escolhido possa passar pelo ciclo da reciclagem diversas vezes.

Afinal, o que podemos fazer?

A regulamentação da ANVISA para embalagens de alimentos dificulta um pouco a sustentabilidade, mas ainda deixa muitas opções. O desafio é o mesmo não importa a finalidade da embalagem, custo mais alto e pouca valorização por parte do mercado. O que deve ser evitado é a visão simplista onde não se admite a co-responsabilidade dos atores de toda a cadeia. Não é porque você usa o material X ou Y que você se exime do que acontece após a venda e o consumo. Busque ter uma visão sistêmica e entenda tudo o que você pode fazer para garantir embalagens sustentáveis para alimentos.

Entenda como as marcas sustentáveis estão crescendo